O Japão ‘moderno’, especialmente após a II Guerra Mundial fez questão de interagir com outros países e disseminar e popularizar pelo planeta Terra sua cultura. Por necessidade de ressurgir após um período conturbado como é o de qualquer conflito humano e por questões político-financeiras, obviamente. A cultura japonesa, além de costumeiramente chamada ‘milenar’ por sua antigüidade, também é muito variada.
Pra ficar apenas nas Artes Cênicas citamos as mais ‘populares’. Algumas delas pesquisadas e apresentadas no Brasil.
O Butô é a mais conhecida, uma combinação de teatro e dança desenvolvida no período pós Segunda Guerra Mundial. Segundo o famoso encenador paulistano Antunes Filho, o butô vem da morte, sendo ela apenas um dos temas visitados por essa arte.
Teatro de Variedade ou Yossê, com longa existência na cultura japonesa. Não é à toa que se chama de variedade. Fazem parte dele o rakugô (monólogo que conta histórias cômicas imitando a voz das personagens), kôdan (arte de declamar episódios históricos com entonação especial), kijutsu (números de mágica) e rokyoku (um tipo de narrativa melódica ritmada é considerado um canto popular, com temas históricos, na maior parte das vezes tramas conhecidas e contos tradicionais.).
Uma das manifestações teatrais mais antigas do Japão, Nô significa a arte de exibir talento. Este gênero teatral mantém uma rigorosa ‘marcação cênica’, buscando muito significado com o mínimo de expressão. O Teatro Nô tem um repertório fixo, com aproximadamente 250 peças, num universo habitado por personagens como deuses, guerreiros e mulheres enlouquecidas, lidando com os mistérios do espírito.
Ainda nas artes cênicas, a dança japonesa tem muitos movimentos pouco conhecidos por aqui. Há, no Brasil, representantes de algumas danças tradicionais japonesas e também artistas e pequenos grupos que cultivam o treino de danças ou métodos específicos como suporte para investigação cênica. Exemplos como o da coreógrafa e diretora de dança Ângela Nagai que relaciona pesquisa do teatro aristocrático japonês com o candomblé e da diretora Alice K., que montou trabalhos importantes a partir da tradução do poeta Haroldo de Campos.
O Kabuki originou-se num santuário xintoísta, com bailados sensuais, num estilo livre e arrojado pra época (início do século XVII). Inicialmente os espetáculos eram apresentados em templos e imitações de palcos de Nô. Devido à popularidade, foram transferidos para locais mais amplos.
Estas manifestações são apenas exemplos da vasta cultura daquele país. Organização vinculada ao Ministério das Relações Exteriores do Japão, a Fundação Japão (www.fjsp.org.br) tem o objetivo de promover o intercâmbio cultural e a compreensão mútua entre Japão e outros países. Seu escritório no Brasil está em São Paulo - estado com a maior colônia japonesa no Brasil sendo natural a concentração de manifestações artísticas inter-culturais na capital paulista. A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo criou em 2007 o programa Cena Estrangeira e o Japão é um dos países mais ativos nesse intercâmbio. As duas entidades relacionam-se ativamente colocando à disposição do público brasileiro, grandes espetáculos de artistas e companhias japoneses contemporâneos com preços muito acessíveis.
Quando começamos a pesquisar sobre esta cultura, cada passo, cada descoberta a torna ainda mais fascinante e mais vontade nos dá de aprofundar esse conhecimento. Por suas diferenças, mistérios e, sobretudo, sobre sua constante evolução sem perda de raízes, sua disseminação internacional com o orgulho natural de quem valoriza sua identidade. No Brasil, temos isso isoladamente, devido à diversidade cultural interna, nossa formação étnica multi-cultural e nossa dificuldade em assumir uma identidade una como nação. Ainda estamos séculos aquém dessa postura e temos a grande oportunidade de aprender muito com estas trocas. Que sejam constantes e profícuas.