sexta-feira, 16 de maio de 2008

III mostra latino americana de teatro de grupo

O que leva o público ‘comum’ a filas e horas de espera por um ingresso gratuito no teatro? O espetáculo ou a isenção de pagamento?
A III mostra Latino Americana de Teatro de Grupo levou a São Paulo ‘teatreiros’ de diferentes do país, da América Latina e de Portugal.
As filas demonstraram, mais uma vez, o grande interesse que as artes cênicas despertam no público em geral e não apenas no específico. Uma dúvida sempre surge: é pela gratuidade do ingresso ou pela possibilidade única de ver algo que dificilmente cumpriria temporada na cidade? Essa discussão ainda terá seu momento adequado.
O intercâmbio entre participantes e interação destes com o público foram o mote central desta mostra que teve atividades práticas e teóricas, conversas de corredor e debates formais além dos espetáculos propriamente ditos. Demonstrações de processos criativos, encontros com gestores públicos de cultura de diversas procedências e GENTE de diferentes formações. O projeto da Cooperativa Paulista de Teatro, que é também responsável por sua realização, tem por objetivo buscar maneiras de integrar o fazer teatral na América Latina. Um dos pontos a ser alcançado na 5ª edição é de que a organização esteja em escala continental, sendo gerida pelos grupos e companhias (quem faz e pensa teatro no continente). Com isso, pretende-se que sejam criadas ações múltiplas em todo continente, defendendo a cultura como fortalecedora da cidadania, pois através de recursos públicos (patrocinador primário de montagens teatrais, pelo investimento de impostos devidos) a população recebe benefícios culturais, com melhoria da qualidade de vida das comunidades envolvidas. A consciência crítica que se busca infundir na mente dessa população deve ser produzida e incentivada por evento como este, na visão de seus idealizadores e realizadores.
De norte a sul do Brasil, de 5 países latino-americanos saíram grupos, além de um convidado especial de Portugal. Em São Paulo capital emocionaram e encantaram pela singeleza ou complexidade de seus trabalhos, pela busca de raízes folclóricas ou pela pesquisa de linguagem. Fato é que movimentaram a cena cultural paulistana de 5 a 11 de maio com luzes, vozes, cores, palavras ou gestos. Alguns trabalhos apresentados:


‘Miséria, Servidor de Dois Estancieiros’, da Oigalê Cooperativa de Artistas Teatrais de Porto Alegre (RS) é um espetáculo popular que une um texto clássico da comédia ‘dell’arte’ com sotaque regional apresentado em espaço aberto. Divertida e bem montada, arrancou gargalhadas de todo o público.

‘Errores de lo subjuntivo’, do México não impressionou muito apesar de toda a parafernália colocada no palco. A questão do idioma nem foi seu maior problema, mas sim a complicada mistura de teatro realista com dança, canto e vídeo que não deixa muito claro se são os artistas que têm dificuldade em lidar com tanta mudança de objetos e cenários ou se estes estão em demasia.

‘O Realejo’ é um lindo espetáculo de Fortaleza (CE) que comove e prende a atenção por seu texto singelo e pela refinada concepção cênica, onde bonecos e atores-manipuladores são realmente um só elemento. Compreenda-se que atores em roupas neutras (negras) vestem os bonecos que vão à sua frente; as cabeças dos bonecos são as dos atores assim como suas mãos e a movimentação corporal nos mostra apenas bonecos em cena, ainda mais quando nos permitimos observar a cena com a delicada iluminação que nos remete a um filme antigo. A fluidez e sutileza das cenas comovem e nos levam à beira da poesia feita teatro.