sábado, 16 de agosto de 2008

Começou nesta quinta-feira, 14 de agosto a 20ª Bienal do Livro de São Paulo, realizada pela Câmara Brasileira do Livro. Com enfoque essencialmente comercial, conta com a participação de 350 expositores nacionais e estrangeiros que colocam mais de 210 mil títulos à disposição do público em 70 mil metros quadrados do Parque de Exposições do Anhembi na capital paulista. O público é formado em sua maioria pelo próprio mercado editorial. Livreiros, editores, autores, distribuidores, ilustradores, gráficas, fornecedores em geral aproveitam os 11 dias de feira para fazer contatos e os números mostram que a Bienal de SP trabalha diretamente com aqueles que fazem do livro o seu negócio.
Vindo ao encontro de outras feiras realizadas pelo país, amplia sua programação ao público leitor com encontros com escritores consagrados e iniciantes de várias áreas do pensamento humano. Discussões sobre os rumos da literatura e da formação de leitores e escritores – razão de ser do mercado em questão – naturalmente fazem parte do chamado Salão de Idéias que acontece diariamente num salão com capacidade para 400 pessoas e este ano contará com a participação de cerca de 130 convidados nacionais e internacionais.
É neste contexto que a Câmara Rio-Grandense do Livro, mais conhecida pela realização da Feira do Livro de Porto Alegre entre as diversas ações que desenvolve, está inserida com um estande onde apresenta para comercialização parte do catálogo de 15 de suas editoras associadas e que outras várias editoras gaúchas se fazem presentes com espaço próprio ou coletivamente com entidades como a ABEU (Associação Brasileira de Editoras Universitárias). Além destes espaços, a CRL e o manterão espaço específico junto a outras Câmaras regionais para contatos que resultem em possíveis parcerias em negócios e eventos. Apenas no primeiro dia já foram feitos os primeiros contatos com a Feira do Livro de Maceió, de Madrid (Espanha) e Guadalajara (México) entre outros contatos importantes.

O que o público leitor interessado pode ganhar com tudo isto?

É importante que se fale que a programação da Bienal de SP conta, pela primeira vez, com o espaço “Ler é a minha praia”, destinado aos públicos infantil e juvenil com centenas de horas de programação específica. A família que for visitar o evento contará com um serviço de visitação especial que orientará onde estão eventos e estandes de interesses de cada um: adulto, jovem ou criança.

Os contatos realizados pelos organizadores de feiras possibilitarão uma rede de cooperação que facilitará a vinda de escritores estrangeiros e sua circulação em diversos eventos, especialmente naqueles que acontecem em épocas muito próximas, criando novas oportunidades de contato do público com os autores e, no caso de feiras internacionais, da divulgação de autores e mercado editorial nacional fora do país.
Com a intenção de desburocratizar e minimizar entraves entre o mercado editorial brasileiro e de outros países da América Latina também será realizado nos dias 30 e 31 de outubro em Porto Alegre o 1° Congresso Latino-Americano do Mercado Editorial (CLAMME) com conversas que buscam ações reais e efetivas no sentido de fazer circular o livro com mais fluidez entre os países do continente e aumentar as possibilidades de negócios entre esses países. Novamente ganha o público, pois muitas resoluções podem até resultar em mais novidades, novos autores e livros mais acessíveis. Este encontro culmina na abertura da Feira do Livro de Porto Alegre que este ano acontecerá de 31 de outubro a 16 de novembro em seu espaço tradicional no centro da cidade e seu enfoque essencialmente cultural, com sessões de autógrafos, oficinas, seminários, encontros com autores, apresentações artísticas para todos os gostos e faixas etárias oferecendo esta programação totalmente gratuita aos visitantes, o que resultou, em 2007, pouco menos de 500 mil livros vendidos.
Recente pesquisa mostra que o público gaúcho lê por prazer. E fala do papel fundamental das bibliotecas nas escolas e do estímulo à leitura em casa.

Todos estes pontos rapidamente lançados ao vento pra nos fazer pensar serão mais esmiuçados ao final da Bienal. Como ela acontece de 10 às 22h até dia 24 de agosto, o tempo para escrever é pouco, mas prometo aproveitar o que for possível pra contar a vocês. Neste momento, achei importante divulgar o empenho de diversas entidades para facilitar nosso acesso ao livro e popularizá-lo.

Por agora, deixo uma bela sugestão de peça para ser vista em Porto Alegre:
CIA TEATROFÍDICO
E

PROJETO USINA DAS ARTES
APRESENTAM

APARECEU A MARGARIDA
DE
ROBERTO ATHAYDE

DE 08/08 A 14/09 - SÁBADOS E DOMINGOS 19H
SALA 302 DA USINA DO GASÔMETRO


"TEM ALGUÉM AÍ CHAMADO JESUS?"

O espetáculo retrata um dia na sala de aula da professora Dnª Margarida, narrando fatos da vida a alunos pré-adolescentes, apresentando de forma tragicômica o real e o imaginário. A peça critica a política e o comportamento envolvendo a platéia, que torna-se parte da encenação como se fossem alunos e a professora expressa as suas opiniões através das disciplinas curriculares de forma alegórica e, ao mesmo tempo, autoritária.
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"GRANDE TEXTO DO ROBERTO ATHAYDE!
A ATUAÇÃO DO RENATO DEL CAMPÃO É BÁRBARA!
A DIREÇÃO DO EDU KRAEMER COMO SEMPRE
INTELIGENTE E ORGÂNICA.
SAÍ EMOCIONADO E REMEXIDO COMO SE DEVE SAIR DE UM BOM TEATRO.
NÃO PERCAM"
ZÉ ADÃO BARBOSA
ATOR E DIRETOR
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O texto é um clássico do TEATRO BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO , foi montada em mais de 30 países desde sua estréia em 1973 , com Marilia Pêra.
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...D.Margarida x Campão ou Campão & D. Margarida...
Tanto faz, o fato é que o trabalho é tão envolvente, tão emocionante, tão perverso que a gente fica em dúvida se está assistindo um espetáculo ou se é um sujeito atuante destas perversidades...
...D.Margarida...Campão...D.Margarida..Kraemer...D.Margarida...Klein...D.Margarida...
VERA MESQUITA
ATRIZ
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No Rio Grande do Sul , a atriz Sandra Dani viveu Dna. Margarida nos anos oitenta , com absoluto vigor. Mas segundo o próprio autor Roberto Athayde "a utilização de um veículo distanciado do protótipo da professora , tende a enfatizar o aspecto abstrato do texto como uma paródia supra-genérica , não só do Poder como do próprio ego humano."
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"Apareceu a Margarida é sem sombra de dúvidas um espetáculo singular, que apresenta uma crítica a postura de determinados educadores, com humor atrevido e ao mesmo tempo sarcástico. A adaptação, encenada por Renato Del Campão e dirigida pela ótica de Eduardo Kraemer, mostra uma professora arrogante e mal humorada, mas com um desequilíbrio emocional hilariante. Certamente, muitos na platéia já tiveram aulas com alguma 'Dona Margarina' da vida real."
Luís Gustavo Machado, estudante de Jornalismo.

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A trama, com áspero texto, é uma profunda análise psicológica da tortura, da perversão, dos mecanismos de opressão e de toda e qualquer tirania ditatorial, garantindo a identificação de todos.
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"Eu e meus amigos,adoramos a peça,chorei de tanto rir!!! Parabéns aos atores,principalmente ao Renato Campão,está excelente no papel de Margarida."
Mauro Giró
Recepcionista/hotel
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Roberto Athayde, um dos grandes autores responsáveis pelo divisor de águas da dramaturgia nacional, com texto de linhagem tragicômica e, pioneiro também na utilização de uma linguagem coloquial em cena – destaque no período da Ditadura Militar, do Autoritarismo – ficou conhecido mundialmente pela montagem, adaptação e tradução de "APARECEU A MARGARIDA ", para quase o Mundo inteiro, a partir do final dos anos 70 até hoje.
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Ainda persiste o ilusório e absolutamente equivocado comentário : …”não sou de política…”(a não ser que vivamos isolados, somos 100% políticos a cada minuto do dia , queiramos ou não) . A eterna busca de domínio, do poder absoluto sobre o próximo sempre acaba por entregar o caráter de quem a empreende. E o que salta aos olhos acaba sendo a impotência do dominante-opressor diante do mundo real , representada na figura do oprimido. No caso dos personagens da peca ‘Apareceu a Margarida’, evidenciam-se o caráter predador – a professora odienta e seu antípoda - o aluno dominado. Diante dos nossos olhos , com vigor e violência , a soberba e a arrogância ganham forma e alma . Fica bastante claro que o texto transcende o momento especifico em que foi escrito , de maneira alguma se limita ao cenário brasileiro de 1971. As relações de poder que ocorrem aqui, poderiam muito bem se dar num ambiente corporativo, num quartel ou dentro de casa. Hoje ou a dois mil anos atrás. Estamos eternamente marcando territórios, exatamente como os meus 4 gatos fazem na minha casa . Dona Margarida não tem nenhum controle sobre sua própria vida, sua afetividade e seus instintos. E , numa busca de si, mesma ataca o livre-arbítrio alheio. O ator sabe muito bem disso, e emprega uma energia de tsunami , fazendo uma terra arrasada a quem quer que ouse interromper sua linha de conduta e pensamento.. A trilha e especialmente assustadora , a professora tem algo de ave de rapina , pronta pra saltar e estripar seus oponentes. E claro que esse desespero dos sentidos torna o personagem patético lá pelas tantas, e rimos muito. Porque alguém que personifique tão brilhantemente a prepotência sempre será ridiculamente humano. O espetáculo nos da subsídios pra abrirmos esse leque de visões : Dona Margarida representa exatamente o que ? O estado ditatorial ? A eternal luta de classes ? A sexualidade represada escapando violentamente ? O predador interno que vive em nos mesmos e que solapa o que temos de melhor ? Questionamentos que so o teatro inteligente nos impõe.
GIOVANA DE FIGUEIREDO
ATRIZ

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"O Rio Grande do Sul deve se orgulhar por ter nos seus palcos a ousadia e a incrível capacidade técnica do ator Renato Del Campão.
Sua leitura do texto desdobra em diversas camadas o entendimento da alma humana, apropriando-se da essência expressa pelo autor.
A atuação escancara as feridas vivenciadas no texto com impressionante entrega, ao mesmo tempo mostrando que Dna Margarida
é uma pétala. Frágil e imperiosa, a personagem está exposta à luz do colorido da interpretação que permite ver, nos escaninhos
mais profundos da peça, um verdadeiro libelo libertário, atual e contundente, que trata com escárnio o avassalado desejo pelo poder. 'Sobreviver não é apenas cruel, é concreto'."
CACO COELHO
DIRETOR


FICHA TÉCNICA :
Autor – ROBERTO ATHAYDE
Direção – EDUARDO KRAEMER
Atuação – RENATO DEL CAMPÃO ( Dona Margarida ) e JAIRO KLEIN( aluno)
Cenografia , iluminação e sonoplastia – EDUARDO KRAEMER
Figurinos – ANTONIO RABADAN e CURSO DE DESIGN DE MODA E TECNOLOGIA DA FEEVALE
Fotos – LUCIANA MENA BARRETO
Material gráfico – EDUARDO KRAEMER
Make – up – NIKKI GOULART
Trilha pesquisada – CIA TEATROFÍDICO
Trilha composta – MANINHA PEDROSO
Realização – CIA TEATROFÍDICO