Atire a primeira pedra quem nunca ficou assoberbado de afazeres e acabou deixando um prazer de lado. Pois é, um dos meus prazeres é escrever. Ou melhor: digitar minhas idéias e pensamentos. Mas nos últimos meses, viagem a trabalho, viagem de final de ano, estréia, tudo contribuiu para eu me privar do prazer desta modesta coluna. E não foi falta de tempo pra escrever, foi falta de tempo pra pensar mesmo. Pensar o que foi assistido, trabalhado.
Mas chega de desculpas e vamos ao que interessa. No final de outubro fui a Porto Alegre trabalhar na [minha] 10ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre. E me comprometi a escrever aqui sobre ela. Claro, a coluna originalmente era pra ser sobre teatro. Mas fui devidamente autorizada e cá estou eu: contando de museus, feiras de cultura, falando de acordo ortográfico que finalmente entrou em vigor. Ah, com isso ainda terei que me habituar a escrever “diferente”.
Pra quem não sabia, Porto Alegre tem sim, uma feira do livro. Há 54 anos. Em uma das edições em que trabalhei, a coordenação buscava informações sobre a idade das feiras pelo mundo e entre as mais antigas está a Feira de Frankfurt (Alemanha), considerada o maior evento editorial do mundo com 60 edições completadas em 2008. A celebradíssima Feira de Guadalajara (México, 23 anos) junto à Feira de Porto Alegre é das maiores da América Latina e o maior evento literário do mundo das letras espanholas, fazendo, jocosamente com que ‘a nossa’ feira esteja entre as mais antigas e maiores.
Ufanismos à parte, o que faz a Feira do Livro de Porto Alegre diferente das outras? Primeiro, pra usar um termo em voga, é extremamente democrática em seu acesso, pois é realizada ao ar livre, na Praça da Alfândega no centro da cidade. Sendo ao ar livre, seu acesso é totalmente gratuito e isso inclui as quase 400 atividades como palestras, encontros com escritores, oficinas, sessões de cinema, apresentações teatrais e musicais e as quase 900 sessões de autógrafos. E aí se inclui outro aspecto: é uma feira essencialmente cultural, enquanto a maioria das feiras é mais voltada ao mercado editorial. Logicamente, desde sua criação, o objetivo é vender livros. Mas os expositores são associados a uma entidade de classe sem fins lucrativos que realiza a Feira, a Câmara Rio-Grandense do Livro e seguem alguns critérios para ter direito de colocar sua ‘barraca’ na praça. É uma feira anual e pra quem tem interesse em números, alguns dados do release do balanço final da 54ª Feira do livro de Porto Alegre, que também está disponível no site da Feira, onde há também uma bela galeria de fotos.
Seu crescimento fez com que as áreas infantil, juvenil e internacional e hoje as duas primeiras se localizam em armazéns do cais do porto fazendo a Feira cruzar três ruas paralelas, ligando a praça aos cais. Se o objetivo primeiro de uma feira é vender livros, nada mais natural que trazer o público à praça através da programação gratuita que fomenta o interesse por assuntos diversos que, por sua vez, estão nos livros.
Importante lembrar a importância das parcerias da Feira. Não falo apenas dos patrocinadores. Seja através de programações, autores, cedência de espaço físico, a Feira conta com a colaboração de associações diversas, universidades, professores, editoras, profissionais liberais. Todos ajudam no desenvolvimento da programação a públicos diferentes. Várias instituições culturais cujos prédios históricos ao redor da praça abrem as portas às atividades há vários anos fazem parte dessa festa do livro. Há alguns anos a sociedade é chamada a participar com sugestões e programações. Exemplificando: seminários sobre música e cinema foram desenvolvidos através de reuniões com entidades de classe e profissionais renomados que levam sugestões e apóiam com seu trabalho essa realização. Comunidades de escolas e instituições voltadas a estudos sobre terceira idade, PPDs (pessoas portadoras de deficiência), psicanálise, arquitetura, astrologia, ciências variadas são apenas uma parte da variada lista de colaboradores.
Há também que se levantar o aspecto social da Feira. Não apenas pela possibilidade de escolas e alunos sem grandes recursos financeiros terem acesso, mas também pela realização do Projeto Asteróide (inspirado pelo livro O Pequeno Príncipe, desde o ano em que a França foi o país homenageado) recebendo jovens e crianças que, ao longo do ano, tem na Praça sua morada. Ao longo do ano mantêm contato com a Câmara, mas especialmente nesta época, desenvolvem atividades, são convidados a participar dos eventos, recebem alimentação, higiene e muitos deles conseguem reencontrar suas famílias e/ou retornam à escola.
“Detalhes” que diferenciam este evento de Feiras mais festejadas pela mídia nacional e fazem com que escritores, intelectuais, público, editores e principalmente aqueles que, como eu, trabalham ao longo do ano para que a Feira aconteça, queiram sempre voltar.
Pra uma população de pouco mais de 1.360.000 habitantes, os números são admiráveis.
Balanço final
– 54ª Feira do Livro de Porto Alegre –
Depois de 17 dias, a Feira do Livro de Porto Alegre se despede da Praça da Alfândega certa de ter colaborado para que a população tivesse acesso ao livro e à leitura, por meio de encontros com escritores, oficinas, apresentações artísticas e milhares de títulos literários em um espaço aberto e democrático. O maior evento do setor realizado a céu aberto no continente americano retorna no ano que vem.
Agradecemos o apoio de toda a imprensa. Fica o convite para o próximo ano. A 55ª Feira do Livro de Porto Alegre já tem data marcada: 30 de outubro de 2009.
Neste material, reunimos as principais informações que comprovam a abrangência de
realizações e de público alcançada pela Feira em mais uma edição.
VOLUME DE VENDAS DE LIVROS
Total: 424.046 (representando uma queda de 8% em relação à Feira de 2007)
Área Geral 295.624 (queda de 8% em relação a 2007)
Área Infantil e Juvenil 111.469 (5% a menos do que no ano passado)
Área Internacional 16.953 (redução de 10% nas vendas)
AUTÓGRAFOS
Total: 829 lançamentos
Praça de Autógrafos: 574
Área Infantil e Juvenil: 91
Sessões coletivas: 117
Sessões realizadas em salas de eventos: 47
Campeão de fila: Eduardo Galeano
NÚMEROS FINAIS DA PROGRAMAÇÃO
* Área Geral
Programação Artística com 98 eventos, 231 ministrantes e um público de 10.355 pessoas. Com 36 oficinas para um público de 1.594 pessoas e 129 encontros com o livro (palestras, seminários) FORAM, AO TODO, 264 ATIVIDADES MINISTRADAS POR 634 PESSOAS PARA UM PÚBLICO PRESENTE DE 21.016.
Dos ministrantes: 511 foram gaúchos, 93 brasileiros de outros estados e 30 de outros países.
* Área Infantil e Juvenil
Atividades prévias
Encontros com autores em escolas na etapa prévia da Feira : 262
Encontro com educadores na etapa prévia da Feira: 12
Encontros com autores
Autor no Palco, para alunos do ensino fundamental : 19
Casa do Pensamento, para público jovem : 19
Arena das Histórias para alunos da educação infantil e das séries iniciais: 25
QG dos Pitocos, para público pré-escolar: 9
Ducha das Letras :1
Ateliê da Imagem : 3
A Hora do Educador
Mesas-redondas : 13
Oficinas Ducha das Letras : 16
Oficinas Ateliê da Imagem :23
Espetáculos: 7
Encontros
Escoteiros: 2
Confraria das letras em Braille: 1
Reinações Confraria da Leitura : 1
Jovens Escritores: 1
Palestras sobre HQ: 14
Sessões de contos
QG dos Pitocos : 170
Arena das Histórias: 45
Ducha das Letras : 8
Apresentação de projetos de Leitura : 17
Exposições: 6
Oficinas para crianças e adolescentes
Arena das Histórias:1
QG : 21
Projeto Asteróide :17
Espetáculos de teatro tradicional e teatro de bonecos e outras apresentações
artísticas
Arena das Histórias: 2
Teatro Sancho Pança: 49
QG dos Pitocos : 16
Território das escolas: 14
Casa do Pensamento : 7
Deck dos Autógrafos : 17
Apresentações artísticas de escolas: 68
Sessões de autógrafos de escolas : 34
E mais:
Programa de Rádio
Concerto da OSPA
4ª Regata Festiva da Feira do Livro
1º Passeio Ciclístico da Feira do Livro
Visita do navio-patrulha Benevente e da Corveta Imperial, ambos da Marinha do Brasil com visitação do público
Mas chega de desculpas e vamos ao que interessa. No final de outubro fui a Porto Alegre trabalhar na [minha] 10ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre. E me comprometi a escrever aqui sobre ela. Claro, a coluna originalmente era pra ser sobre teatro. Mas fui devidamente autorizada e cá estou eu: contando de museus, feiras de cultura, falando de acordo ortográfico que finalmente entrou em vigor. Ah, com isso ainda terei que me habituar a escrever “diferente”.
Pra quem não sabia, Porto Alegre tem sim, uma feira do livro. Há 54 anos. Em uma das edições em que trabalhei, a coordenação buscava informações sobre a idade das feiras pelo mundo e entre as mais antigas está a Feira de Frankfurt (Alemanha), considerada o maior evento editorial do mundo com 60 edições completadas em 2008. A celebradíssima Feira de Guadalajara (México, 23 anos) junto à Feira de Porto Alegre é das maiores da América Latina e o maior evento literário do mundo das letras espanholas, fazendo, jocosamente com que ‘a nossa’ feira esteja entre as mais antigas e maiores.
Ufanismos à parte, o que faz a Feira do Livro de Porto Alegre diferente das outras? Primeiro, pra usar um termo em voga, é extremamente democrática em seu acesso, pois é realizada ao ar livre, na Praça da Alfândega no centro da cidade. Sendo ao ar livre, seu acesso é totalmente gratuito e isso inclui as quase 400 atividades como palestras, encontros com escritores, oficinas, sessões de cinema, apresentações teatrais e musicais e as quase 900 sessões de autógrafos. E aí se inclui outro aspecto: é uma feira essencialmente cultural, enquanto a maioria das feiras é mais voltada ao mercado editorial. Logicamente, desde sua criação, o objetivo é vender livros. Mas os expositores são associados a uma entidade de classe sem fins lucrativos que realiza a Feira, a Câmara Rio-Grandense do Livro e seguem alguns critérios para ter direito de colocar sua ‘barraca’ na praça. É uma feira anual e pra quem tem interesse em números, alguns dados do release do balanço final da 54ª Feira do livro de Porto Alegre, que também está disponível no site da Feira, onde há também uma bela galeria de fotos.
Seu crescimento fez com que as áreas infantil, juvenil e internacional e hoje as duas primeiras se localizam em armazéns do cais do porto fazendo a Feira cruzar três ruas paralelas, ligando a praça aos cais. Se o objetivo primeiro de uma feira é vender livros, nada mais natural que trazer o público à praça através da programação gratuita que fomenta o interesse por assuntos diversos que, por sua vez, estão nos livros.
Importante lembrar a importância das parcerias da Feira. Não falo apenas dos patrocinadores. Seja através de programações, autores, cedência de espaço físico, a Feira conta com a colaboração de associações diversas, universidades, professores, editoras, profissionais liberais. Todos ajudam no desenvolvimento da programação a públicos diferentes. Várias instituições culturais cujos prédios históricos ao redor da praça abrem as portas às atividades há vários anos fazem parte dessa festa do livro. Há alguns anos a sociedade é chamada a participar com sugestões e programações. Exemplificando: seminários sobre música e cinema foram desenvolvidos através de reuniões com entidades de classe e profissionais renomados que levam sugestões e apóiam com seu trabalho essa realização. Comunidades de escolas e instituições voltadas a estudos sobre terceira idade, PPDs (pessoas portadoras de deficiência), psicanálise, arquitetura, astrologia, ciências variadas são apenas uma parte da variada lista de colaboradores.
Há também que se levantar o aspecto social da Feira. Não apenas pela possibilidade de escolas e alunos sem grandes recursos financeiros terem acesso, mas também pela realização do Projeto Asteróide (inspirado pelo livro O Pequeno Príncipe, desde o ano em que a França foi o país homenageado) recebendo jovens e crianças que, ao longo do ano, tem na Praça sua morada. Ao longo do ano mantêm contato com a Câmara, mas especialmente nesta época, desenvolvem atividades, são convidados a participar dos eventos, recebem alimentação, higiene e muitos deles conseguem reencontrar suas famílias e/ou retornam à escola.
“Detalhes” que diferenciam este evento de Feiras mais festejadas pela mídia nacional e fazem com que escritores, intelectuais, público, editores e principalmente aqueles que, como eu, trabalham ao longo do ano para que a Feira aconteça, queiram sempre voltar.
Pra uma população de pouco mais de 1.360.000 habitantes, os números são admiráveis.
Balanço final
– 54ª Feira do Livro de Porto Alegre –
Depois de 17 dias, a Feira do Livro de Porto Alegre se despede da Praça da Alfândega certa de ter colaborado para que a população tivesse acesso ao livro e à leitura, por meio de encontros com escritores, oficinas, apresentações artísticas e milhares de títulos literários em um espaço aberto e democrático. O maior evento do setor realizado a céu aberto no continente americano retorna no ano que vem.
Agradecemos o apoio de toda a imprensa. Fica o convite para o próximo ano. A 55ª Feira do Livro de Porto Alegre já tem data marcada: 30 de outubro de 2009.
Neste material, reunimos as principais informações que comprovam a abrangência de
realizações e de público alcançada pela Feira em mais uma edição.
VOLUME DE VENDAS DE LIVROS
Total: 424.046 (representando uma queda de 8% em relação à Feira de 2007)
Área Geral 295.624 (queda de 8% em relação a 2007)
Área Infantil e Juvenil 111.469 (5% a menos do que no ano passado)
Área Internacional 16.953 (redução de 10% nas vendas)
AUTÓGRAFOS
Total: 829 lançamentos
Praça de Autógrafos: 574
Área Infantil e Juvenil: 91
Sessões coletivas: 117
Sessões realizadas em salas de eventos: 47
Campeão de fila: Eduardo Galeano
NÚMEROS FINAIS DA PROGRAMAÇÃO
* Área Geral
Programação Artística com 98 eventos, 231 ministrantes e um público de 10.355 pessoas. Com 36 oficinas para um público de 1.594 pessoas e 129 encontros com o livro (palestras, seminários) FORAM, AO TODO, 264 ATIVIDADES MINISTRADAS POR 634 PESSOAS PARA UM PÚBLICO PRESENTE DE 21.016.
Dos ministrantes: 511 foram gaúchos, 93 brasileiros de outros estados e 30 de outros países.
* Área Infantil e Juvenil
Atividades prévias
Encontros com autores em escolas na etapa prévia da Feira : 262
Encontro com educadores na etapa prévia da Feira: 12
Encontros com autores
Autor no Palco, para alunos do ensino fundamental : 19
Casa do Pensamento, para público jovem : 19
Arena das Histórias para alunos da educação infantil e das séries iniciais: 25
QG dos Pitocos, para público pré-escolar: 9
Ducha das Letras :1
Ateliê da Imagem : 3
A Hora do Educador
Mesas-redondas : 13
Oficinas Ducha das Letras : 16
Oficinas Ateliê da Imagem :23
Espetáculos: 7
Encontros
Escoteiros: 2
Confraria das letras em Braille: 1
Reinações Confraria da Leitura : 1
Jovens Escritores: 1
Palestras sobre HQ: 14
Sessões de contos
QG dos Pitocos : 170
Arena das Histórias: 45
Ducha das Letras : 8
Apresentação de projetos de Leitura : 17
Exposições: 6
Oficinas para crianças e adolescentes
Arena das Histórias:1
QG : 21
Projeto Asteróide :17
Espetáculos de teatro tradicional e teatro de bonecos e outras apresentações
artísticas
Arena das Histórias: 2
Teatro Sancho Pança: 49
QG dos Pitocos : 16
Território das escolas: 14
Casa do Pensamento : 7
Deck dos Autógrafos : 17
Apresentações artísticas de escolas: 68
Sessões de autógrafos de escolas : 34
E mais:
Programa de Rádio
Concerto da OSPA
4ª Regata Festiva da Feira do Livro
1º Passeio Ciclístico da Feira do Livro
Visita do navio-patrulha Benevente e da Corveta Imperial, ambos da Marinha do Brasil com visitação do público
