domingo, 29 de março de 2009

Inteligência X Intolerância

Em "Os Visitantes" Jean Reno vive um escudeiro que aterra no ano de 1992 junto com seu escudeiro. Entre tantas situações que eles naturalmente vivem, uma passagem em especial me marcou. Com sua ‘descendente’ ele chega ao castelo que era sua morada. À parte exclamações de como defender um lugar cheio de janelas, o maior espanto pra ele é que o castelo está sendo vendido para transformar-se em um hotel – pelo que lembro - e o antepassado mais festejado e homenageado foi aquele que participou ativamente da revolução francesa (pra felicidade do escudeiro) e entregou suas posses ‘ao povo’.
Só neste momento já percebemos duas grandes mudanças: a cultural, com os séculos de diferença e a ruptura da revolução armada, mais abrupta e bem mais ‘alteradora’ do status quo.
Desnecessário seria alongar aqui sobre as mudanças na história do mundo que o transformaram no que é hoje. Entre erros e acertos, a vontade natural (ainda que utópica) da maior parte dos seres humanos, creio, é buscar um modo de vida mais equilibrado entre as vontades e necessidades de todos. Nesse caminho, faz-se necessário haver dois extremos para que o equilíbrio tão almejado seja realmente alcançado, o que, sabemos, nem sempre acontece ou pode custar um bom tempo dentro da história da humanidade.
Caso sutiãs – artigo tão necessário na saúde e estética feminina – não tivessem sido queimados, onde estaríamos? Parece absolutamente tão natural que as mulheres, na imensa maior parte do mundo, hoje tenham vários direitos assegurados, entre eles o direto a voto. Mas até 1971 isso era negado às mulheres suíças. São apenas 37 anos! Quando a primeira pessoa falou em sufrágio feminino, deve ter sido recebida com gargalhadas por muitas e muitas pessoas.
Quantos olhares de descrédito Gandhi não deve ter recebido quando começou a pregar sua ‘revolução pacifista’ para libertar a Índia de seus colonizadores?

É inegável que – exageros sensacionalistas à parte – nosso planeta vem sofrendo, ao longo dos séculos, uma degradação natural de seus recursos e uma mudança no comportamento humano levará ainda, infelizmente e no mínimo, umas dezenas de anos. Mas de algum ponto precisava começar.
É triste observar como o ser humano, em essência não muda. Intolerância é uma constante. Percebo pessoas altamente articuladas, inteligentes e cultas, debochando de maneira até infantil da iniciativa alheia.
Seja como for, se não está interferindo diretamente nas suas vidas, por que parecem se incomodar tanto com as manifestações alheias? Não creio que apenas por ceticismo em relação aos seus efeitos práticos a curto prazo – somente um ingênuo esperaria isso. Mas talvez, quem sabe, por necessidade de dizer algo, de discordar pelo simples prazer de fomentar uma discussão? Ótimo, que venham muitas discussões! Elas aguçam os sentidos, obrigam a pensar, argumentar, encontrar alternativas.
O que realmente mais intriga é essa dicotomia estranha inteligência X intolerância. Estas pessoas que ironizam atos simbólicos como “A Hora do Planeta” (com todas as suas características positivas ou inócuas), insistindo em estar presente na discussão, são as mesmas que muitas vezes, revoltam-se com posições anti-semitas de outros. Não pensarão estes da mesma forma em relação ao pensamento daqueles?
Creio que TOLERÂNCIA deveria ser a palavra de ordem nas discussões que podem, assim, produzir resultados realmente interessantes ao nosso mundinho.