Convencionou-se chamar de ‘espaço alternativo’ para teatro todo espaço diferente de uma sala com local específico para platéia e um palco italiano ou, no máximo (semi) arena para apresentação de um espetáculo cênico. Até apresentações de rua são, agora, encaradas como ‘alternativas’. Mas alternativa a quê? À falta de espaços conhecidos para o tamanho da oferta de encenações? À falta de opções daqueles que não têm possibilidades financeiras para espaços convencionais? À eventual falta de conteúdo que privilegia a pirotecnia para muitas vezes esconder o vazio da forma? A discussão pode ainda ser ampliada sobre o ‘por que’ dessa ‘alternativa’, mas não é o objetivo aqui.
Creio que, em São Paulo hoje, o exemplo mais popular seja o Teatro da Vertigem, grupo já famoso por suas discussões a partir de textos bíblicos e pela utilização de espaços como igrejas, prisões e até mesmo o Rio Tietê. Aqui há uma coerência entre conteúdo e forma de apresentação que se complementam resultando numa quase imersão do espectador no mundo que está sendo apresentado. Outras experimentações na mesma direção oferecem uma festa aos sentidos de pessoas que abrem mão do conforto de um entretenimento convencional para conhecer o que poderá ser a alternativa interessante para a mente inquieta e de assunto para próximos papos entre amigos. Em Porto Alegre, o Falos & Stercus é um dos grupos que mais sabe aproveitar áreas diferenciadas. Seu trabalho performático ocupa espaços dificilmente alcançados por utilizar técnicas de rapel e deslocamentos aéreos variados. Prédio antigo do complexo hospitalar psiquiátrico São Pedro e seu átrio, um antigo casarão do centro da cidade, além de espaços não aproveitados por outros grupos no centro Cultural Usina do Gasômetro. Lembro ainda de uma gigantesca parafernália cenográfica que serpenteava por todo um armazém do cais do porto deixando dúvidas de por onde caminhava o ator entre fumaça e luz. Anos atrás, uma montagem envolvendo artistas de vários grupos levou “O Barão nas Árvores” de Calvino ao mais conhecido parque da cidade, seus espectadores a visitar o parque à noite e atores literalmente às alturas.
O novo, o inusitado e o misterioso sempre causam grande fascínio e talvez por isso seja também interessante para artistas e público esse desvendar do espaço artístico alternativo. Mesmo que tenha que andar atrás do foco de ação, subir escadas, ver uma peça num ônibus em movimento, ver a peça toda através de uma pequena fresta de parede colocada à sua frente dentro de um teatro convencional, o espectador nesse espaço é aquele que enfrenta o medo do desconhecido para experimentar novas sensações. Em várias cidades, e mesmo fora delas, prédios abandonados, lonas de circo, sala de estar de um apartamento, praças e viadutos tornam-se “palco” dessa troca humana não-industrializável e mágica chamada teatro.
(acho que ainda vou voltar a este tema...)
(acho que ainda vou voltar a este tema...)
